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“Futebol” Americano

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Futebol americanoSuponhamos que um dia, num país que eu nem vou dizer o nome, inventassem um novo jogo. Para tal criassem então uma comissão. Após diversas reuniões, discussões e deliberações, ficariam estabelecidas as regras do jogo. O mesmo consistiria da peleja entre duas equipes de um “x” número de jogadores, num campo de medida tal e tal. O objetivo seria levar um determinado objeto ao fundo do campo adversário (metade do campo original). O nome do quadrilátero já está definido. Campo. Dividido em duas metades, uma para cada equipe, mais as devidas demarcações definidas nas regras.

Devido à previsão de narração dos jogos, haveria que se simplificar os termos utilizados no jogo, dando-lhes nomes. Por exemplo: tento, ponto falta, gol e por aí afora. Feito. Resta dar nome ao objeto que será levado de cá para lá e de lá para cá. A comissão olha para o objeto e, na absoluta falta de definição para aquilo, resolve plagiar a outro objeto já largamente utilizado no mundo inteiro, só que geométricamente diferente, de bola. Uma bola é uma bola. É redonda. O objeto do referido novo jogo não é redondo. É oval. A comissão resolve então, espalhar ao mundo a grande descoberta: uma bola pode ser redonda ou oval. Devido ao poder da comissão, o mundo engole em sêco e deixa pra lá. Na verdade, passam a tratar aquele negócio que nem com ôvo é parecido, como bola. Acrescentando, claro, ao final, que se trata de uma bola que somente serve para aquele tipo de jogo.

Passa então – voltando um pouco o tempo atrás – a comissão a definir o nome do jogo. É claro, como a comissão deseja que se torne um jogo popular, deveria ser um nome de aceitação imediata, um nome-bomba, pra estrangeiro (digo fora-da-comissão) nenhum botar defeito. Como já haviam plagiado o nome do objeto (bola), queriam criar um nome bem original para o jogo, para que todos os “de fora da comissão” respeitassem, coisa e tal. Dias e noites se passaram, sem que nenhum membro aparecesse com um nome decente. Foram sugeridos diversos nomes como “eggball” (bola de ôvo), “noball” (ausência de bola), “flatball” (bola murcha), “fightball” (bola da luta, de vez que o jogo é relativamente violento), “stopball” (bola parada, de vez que a do jogo pára a toda hora), “chickenball” (nova referência ao ôvo, devido ao formato do objeto), “hornball” (bola do côrno, devido ao formato da meta/gol), entre outros. O mais votado, segundo fontes de dentro da comissão, teria sido “eggball”. Entretanto, e com muita razão, o nome foi afinal rejeitado. Ôvo é uma coisa frágil, quebra à-toa. Não serviria.

Passaram então a pesquisar o nome de outro ângulo, que não o do objeto, cujo nome já estava “definido” (bola), e sim da forma como o jogo se desenvolveria. O primeiro nome a pulular foi “handball” (bola de mão, ou coisa que o valha) de vez que o jogo é jogado com as mãos, pelo menos em noventa e nove por cento. De vez em quando um dos jogadores parece “dar a peste” e meter o pé na bola. Outro nome sugerido foi “shoulderhit” (algo como porrada com o ombro, coisa que os jogadores vivem fazendo). Como ninguém aparecesse com nome mais decente, “handball” foi então o escolhido. Não durou sequer uma partida, pois durante esta mesma reunião, alguém lembrou já haver um jogo com o mesmo nome, porém mais coerente, pois tocar a bola com os pés constituiria falta. Estaca zero novamente.

Foi então que a “comissão”, completamente desprovida de idéias e provavelmente levada por um desejo de aceitação mundial do seu novo jogo, decidiu usurpar o nome legítimo dado ao esporte inventado na Inglaterra, amado e jogado no mundo inteiro: “football” (bola com os pés, coisa deste tipo). Para o brasileiro, “futebol”. “foot” = pé e “ball” = bola. Football, jogo jogado com os pés, não com as mãos. A referida comissão, sabendo da confusão que havia criado, resolveu “rebatizar” o esporte original, o legítimo football de soccer. Provavelmente, esperavam que o mundo inteiro adotasse o novo nome (soccer) para o legítimo esporte. Não só se enganaram nisto, pois o mundo defecou e andou para as suas mazelas e plágios, como também defeca e anda para o seu esporte, em que grandalhões desajeitados se atropelam correndo atrás de uma dum ôvo de avestruz! Daqueles dias para cá o referido esporte vem sendo jogado, torcido e ovacionado, apenas naquele país. Ninguém mais, no mundo inteiro, deu “bola” para aquilo.

Caro leitor, é claro que toda essa história acima foi inventada aqui por este humilde palmeirense que vos escreve. Não tenho a mínima idéia de como foi “escolhido” o nome para o “futebol americano”. Mas que chamar de “football” um jogo que é essencialmente jogado com as mãos é uma “pisada na bola” isso é! Aliás, acaba de me ocorrer: deve ser por isto que a “bola” dos caras é oval. De tanto pisarem nela, rerere!


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