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Coisas do mundo, dizem eles

coisas do mundoSe você frequenta uma igreja, provavelmente já ouviu este termo. Coisas do mundo. Muitos crentes repetem e repetem isso. Referem-se a objetos, atitudes e lugares “ruins”. Os quais crentes supostamente não deveriam usar, fazer ou frequentar.`

Por vezes vão mais longe. Chamam alguém de “pessoa do mundo”. Significando, é claro, que aquela pessoa está “perdida”, é uma pessoa afastada de Deus.

Certa vez, numa rodinha de crentes, ouvi uma pessoa dizer algo assim: “ah… o que eles detestam é quando a gente fala coisas do mundo…”. A pessoa se referia a uma situação em que ela estava com pessoas que não eram crentes. E ela, ao ouvir algo destas pessoas, lhes fazia perceber o seu desprezo por elas e pelo que faziam. Porque eram “coisas do mundo”.

Ou seja, ao invés de fazer o que Jesus mandou, estava pisando e humilhando outras pessoas. Ao mesmo tempo em que “promovia” a si própria.  Tsc, tsc…

Ora, qual é o ponto de ser “crente” e ficar por aí apontando o dedo para os outros? Por acaso o fato de segurar uma bíblia nas mãos e ir à igreja aos domingos confere a alguém algum tipo de santidade? Eu digo que não. Muito menos ainda o direito de menosprezar as “coisas do mundo”.

O que são as coisas do mundo?

Já ouvi até mesmo bobagens do tipo “dinheiro do mundo”. Traduzindo: “dinheiro sujo”. Como é que um fulano comete uma irresponsabilidade destas? Quer dizer que o dinheiro que entra na igreja precisa ser “dinheiro santo”? Ah, sim… pode ser que após passar pela mão deste sujeito, o dinheiro seja “purificado”.

Se for assim, a igreja vai pro vinagre. Porque todo o dinheiro é “do mundo”. Senão vejamos: um dinheiro “não do mundo” teria que – só pra começar – ser impresso numa casa da moeda onde todos fossem crentes. Ser transportado por crentes. Ser utilizado somente por crentes. Até que o dízimo deste dinheiro “santo” chegasse até a igreja.

Alguns “crentes” levam isso a ferro e fogo. Não vão a muitos lugares, não utilizam determinados objetos, enfim, exageram e exageram. E acham que assim estão “guardando a palavra de Deus”. Coisa nenhuma. Na minha humilde opinião, nós evangélicos, temos mais é que viver normalmente neste mundo. 

Elegendo as “coisas do mundo”

Os que que gostam deste tipo de jargão, não percebem o ridículo das suas próprias “crendices”. Eles mesmos elegem quais são as “coisas do mundo”. E quanto mais um inventa, mais o outro quer inventar.

Afinal de contas, todas as coisas que utilizamos estão no mundo. Se uma estátua (objeto preferido para ser taxado de “coisa do mundo”) é do mundo, o carro, a geladeira, a TV, o computador (e por aí afora…) também são. Coisas do mundo. Quer afastar-se das “coisas do mundo”? Ande nú, a pé e morra de fome, porque a comida também é do mundo. 

Exagêros à parte (é… eu sou exagerado quando lido com exagêros alheios), creio que o que está errado, além da expressão “coisas do mundo”,  é o sentido e o uso que fazem deste jargão. Estas pessoas estão mais preocupadas em mostrar que “não são do mundo” do que em seguir a Jesus. Pois Ele (Jesus) morreu por todos nós, e não só por uma meia dúzia de ETs (que não são do mundo).

Deus nos colocou aqui, no mundo. Ele criou o mundo. E todos nós somos do mundo. E Deus nos deu a oportunidade (e a ordem) de andar por este mesmo mundo como pecadores salvos. Jesus não mandou que nos separássemos “do mundo”.

Explicando. Jesus disse “ide e fazei discipulos…”. Repare bem… Ele disse “ide”. O crente, o evangélico é que precisa ir até aqueles que não conhecem a Jesus. Ora, se o crente se afasta das “coisas do mundo”, ele está dizendo: “vinde a mim…”. Ou seja, se alguém quiser ouvir uma palavra sua, que venha até ele, porque ele é muito frágil e não pode misturar-se às coisas do mundo. Dá um tempo, né?

Evidentemente, há certas coisas e atitudes que devemos evitar, por amor a Deus, guardando a Sua palavra. Mas daí a nos fecharmos numa espécie de redoma, como se fossemos seres esterilizados e não pudéssemos ter contato com o mundo “externo”, vai uma grande distância.

Para finalizar, na minha opinião não existe este negócio de “coisas do mundo”. Não há dois mundos, há um só. O que vivemos. Se queremos levar alguém para Jesus, não podemos nos esconder. É preciso encarar o único mundo que conhecemos. E se você e eu acreditamos realmente em Jesus Cristo, caminhamos por este mundo vivendo antecipadamente a vida com o Senhor no paraiso, sem que as “coisas do mundo” (as ruins…) nos corrompam completamente. Porque parcialmente somos todos corrompidos, caso contrário não precisaríamos de Jesus.

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About the Author Bruno