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Afinal, a fila anda ou não anda?

A fila andaResposta: não quando eu estou nela. Na fila, quero dizer. Qualquer fila. De banco, supermercado e outras que a gente nem gosta de lembrar. Com você a fila anda? Então me ensine como é que se faz.

Cada pessoa tem a sua personalidade, o seu jeito particular de lidar com situações e pessoas. E coisas das quais gosta. E outras que não gosta muito. E mais outras ainda que lhe dão arrepios, enjôo e outros males súbitos ou não. Pessoas têm fobias também. Medo disso e daquilo. Elevador, multidões, alturas, a escolha é sua.

Eu tenho lá minhas fobias também. Avião é complicado. Altura… hummm… melhor não. Mas dá pra encarar. Tanto um como o outro. Remédio pra avião é uísque. Altura é só não olhar pra baixo (vai nessa…).

Mas fila não dá. Não tem jeito. Não consigo entender, conjuminar, engolir fila. Esperar, tudo bem, sem problema. Mas porque na fila? A fila anda só quando não estou nela. 

E os medos, as fobias são autoalimentáveis (inventei essa agora). Vão crescendo. E a mente vai transformando aquilo numa coisa horrorosa, criando mecanismos de defesa, ataque, pânico… socorro!

A coisa é tão feia que quando vou ao banco tenho que tomar cuidado, para não ser confundido com um ladrão. antes de entrar, procuro qualquer janela, frestinha que me possibilite avaliar a fila. Ou pior – as filas. São várias, nojentas e ameaçadoras. Com o dedinho mexendo assim: “vem ati, neném, vem…”. Eu acabo indo. E a fila não anda. Não a minha.

Fila de supermercado

No supermercado, como há mais espaço, entro com mais facilidade. As filas (oh, boy) não são tão visíveis à entrada. Mas assim que o contato visual se faz, três coisas podem acontecer:

  • Entro tranquilo, as filas estão pequenas, filhotinhos que não fazem mal a ninguém.
  • Entro preocupado, há bastante gente nas malditas (filas) e com carrinhos cheios.
  • Vou embora, as filas estão indecentes, indignas de uma pessoa com filofobia.

Há técnicas para avaliar suas chances no supermercado, por exemplo. Se você é filofóbico também, já deve conhecer algumas. Na verdade, é apenas uma questão de observação. Todo indivíduo com este sério problema de fila que não anda, deve saber:

  • Avaliar o estacionamento – Demorou para conseguir uma vaga? Tá ferrado. Fila enorme que não anda.
  • Avaliar a disponibilidade de carrinhos de compra – Tá fácil? Beleza. Não consegue nenhum? Desista. Nem entre no mercado. É pura perda de tempo. Compre uma pizza na esquina e vá para casa, ser feliz.
  • Avaliar as pessoas – Casais, mulheres e velhos são verdadeiros construtores de filas. Os casais, já pra começar, pegam dois carrinhos, que é pra f… a fila. Mulheres vivem querendo conferir preços (só pra f… a fila). Velhos pensam (sem razão alguma, diga-se de passagem) que têm todo o tempo do mundo. Só pra f… a fila.
  • Avaliar o(a) caixa – Mulheres de meia-idade, alegres e falantes são péssimas. Ficam batendo papo com os clientes, perguntando como estão as crianças e o escambau. Caia fora. Saiba identificar um novato, ou ele pode levar você à loucura. Jovenzinhas de óculos meio zaroias, nem pensar. Fique meio de ladinho. Viu algo suspeito no operador do caixa, dê meia-volta e procure outro caixa. Ou largue o carrinho ali mesmo, compre uma pizza na esquina e vá para casa. Nem tente ser feliz, porque não vai dar.
  • Avaliar a registradora – Encoste meio de ladinho e pergunte ao caixa se o rôlo de fita foi recém-trocado. Se disser que não ou que não sabe, pergunte-lhe sobre a sua habilidade em trocar o rôlo. E também se há rolos de reserva. Acredite, estes rolos de fita foram fabricados para acabar bem na sua vez. Ou seja, a fila anda até a sua vez, só pra te enganar…

Para piorar a situação de um filofóbico sempre aparecem aquelas pessoas tranquilas, sossegadas, sorridentes. E ainda por cima conversadoras. Você está lá, às beiras de um colapso nervoso e o “alegria” quer conversar. A bosta da fila enorme, parada e o sujeito comenta: “até que nem está tão grande hoje…”. É o fim. Vai ser paciente assim lá na casa do chapéu…

Se você tem este tipo de problema, não vá a lugares sujeitos a filas com tua mulher. Mulheres não entendem filofobia. elas gostam de filas. E gostam também de tripudiar em cima do marido. Resultado: você acaba quase arrancando os cabelos de raiva da porcaria da fila e ainda quebra o pau com a mulher. Só para depois, quando vierem as consequencias que a dita cuja (a mulher) vai lhe impor, você ficar achando que a fila nem estava tão grande…

Outro conselho: jamais troque de fila. É comum um filofóbico ficar pescoçando as outras filas. Pensando que vai achar uma fila que anda. Não se iluda. Assim que você trocar, a fila em que você estava anda. Não… corre. E aquela para a qual você foi fica sendo, devido á sua presença, uma porcaria duma fila que não anda.

Fila do SUS anda?

Situação: você, que é um filofóbico, fica doente. De outra coisa, quero dizer, não a filofobia. Isso não tem cura. Enfim, precisa ir ao médico. E não tem um plano de saúde.  Procure um médico particular e pague a consulta. Não vá ao SUS.

Explico. Se você nunca enfrentou uma fila do SUS, não comece agora. Mesmo porque não vai adiantar nada, conforme você poderá comprovar se continuar lendo.

Em primeiro lugar filas de supermercado e banco são brinquedo de criança comparadas comas filas do SUS. Aquilo é fila de gente grande. Ali não se conta o tempo em minutos. Nem em horas. São períodos. Cada período é equivalente a seis horas, que é o tempo mínimo a ser gasto numa filinha destas. Você chega a acreditar que no supermercado a fila anda (mas é mentira… não anda).

Com muita sorte, você permanece ali por apenas um período (seis horas… lembre-se). O cara da frente tá todo ferrado, tossindo mais que cachorro magro em dia de chuva. Outro, na fila ao lado (são várias, acredite), ameaça a toda hora de vomitar em cima de você (e acaba mesmo vomitando…). E a fila não anda. Comadres velhas frequentadoras destas filas nojentas conversam entre si, deixando você a par de doenças terríveis, das quais você vai passar o resto da vida desejando jamais ter escutado.

Além disso, ambulancias chegam a todo instante, trazendo mais e mais gente estropiada. O cheiro de suor é quase insuportável. Marmitas são abertas e os cheiros vão se misturando. Aquele aroma azêdo (tanto da marmita, quanto do suor). Alguns gritam de dor, outros gemem e se lamentam.

Após passar por isso tudo (e mais alguma coisa que se me escapa no momento), você finalmente é atendido. Cinco minutos. O médico dá uma olhadinha em você, não vê nada errado, te dá uma receita (eles dão receitas pra todo mundo), diz que não é nada e manda você voltar daqui a quinze dias.

Aí você pensa: “caraco… se eu não tenho nada, porque saí com uma receita e ainda por cima preciso voltar daqui a quinze dias?”. E você ainda tem dúvidas… Sabe porque você tem que voltar daqui a quinze dias?

Pra f… a fila, catso!

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About the Author Bruno